Archive for the ‘politics’ Category

O portátil Magalhães ou como se fazem escolhas enviesadas

Saturday, October 25th, 2008

Recentemente entrei em discussão com um blogger que também é repórter do Expresso, chamado Paulo Querido, tudo circulou em torno deste de um post intitulado Magalhães o sucesso público. Podem ler o post e ver melhor o que é dito lá, mas resumindo, é defendido que é algo excepcional para o desenvolvimento do país, não só porque estimula as crianças, eliminando a info-exclusão, como também é um grande impulsionador do desenvolvimento tecnológico do país porque o computador é feito em Portugal.

Não vou entrar nos detalhes da discussão toda, vou-me centrar na parte do desenvolvimento tecnológico do país. O Magalhães é um computador portátil desenvolvido pela Intel, baseado no OLPC, mas com uma arquitectura completamente fechada. Em Portugal iremos apenas assemblar peças que já vêem pré-feitas de outro lado qualquer. Acresce a isto o facto de não ser possível aceder aos blueprints do computador. Resumindo, não há qualquer benefício para o país em termos de desenvolvimento tecnológico, tanto como uma fábrica da Volkswagen nos permitiu desenvolver um carro português.

O mais interessante é o facto de existirem alternativas completamente abertas de computadores portáteis com características técnicas semelhantes, como por exemplo o projecto da VIA, openbook. Se esta plataforma tivesse sido escolhida parao investimento do Estado seria talvez um bom pontapé de saída para algum desenvolvimento tecnológico em Portugal. Esta sim, poderia criar a “semente do hacker” (como diz o Paulo Querido). Aí sim, talvez pudéssemos ver universidades a desenvolverem, a partir do que já existe, nova tecnologia. Poderíamos deixar de ser macaquinhos de imitação.

Era bom…

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A explosão dos comuns?

Friday, October 24th, 2008

Opensource:

“is a development method for software that harnesses the power of distributed peer review and transparency of process. The promise of open source is better quality, higher reliability, more flexibility, lower cost, and an end to predatory vendor lock-in.”

opensource initialive

http://www.opensource.org

Muito se tem defendido a propriedade privada, quer de bens físicos quer intelectuais. Tem sido sempre vista como um pilar imprescindível à sustentação da inovação, do desenvolvimento, do progresso. O grande argumento para a sustentação vem do facto de apenas a propriedade privada assegurar o incentivo necessário a que as pessoas criem algo novo, seja material, seja intelectual.

É interessante ver como, cada vez, surgem projectos, bastante sólidos, que contradizem estas aparentes verdades irrefutáveis.

Não vou entrar no software livre, já tão batido. Encontrei recentemente este artigo sobre uma empresa italiana chamada Arduino que concebeu, desenvolveu e agora contrói e vende uma placa controladora, sim daquelas que, por exemplo, os estudantes usam para fazer projectos de sistemas de aquisição de dados. É um microprocessador, com uma linguagem de programação própria, desenvolvida pela empresa, e uma série de possibilidades de entradas e saídas. Nada de muito inovador, tirando o facto de ser bastante bem recebida pelos utilizadores e, pasmem-se, ser completamente aberta. Sim, todos os esquemáticos estão disponíveis para download e os criadores incentivam vivamente a cópia e a produção em larga escala.

 Curioso, não é?

1- O facto de a empresa estar funcional, emprega pessoas e continua a vender produtos.

2- O facto de os criadores não terem como objectivo único o lucro, mas sim a satisfação das pessoas que utilizam o produto deles e o desenvolvimento do produto.

Um bocado contrário aos valores que nos entram pelas orelhas dentro diariamente.

No artigo é dito relativamente a um dos criadores da placa:

“describes himself as a left-leaning academic who’s less interested in making money than in inspiring creativity and having his invention used widely. If other people make copies of it, all the better; it will gain more renown.”

 Felizmente parece que há outros valores pelos quais as pessoas se regem

 -artur palha

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Documentário: Money as debt

Friday, October 24th, 2008

O meu amigo Guillaume encontrou este vídeo e, numa troca de emails sobre o nosso sistema económico recomendou-me este vídeo. Vi-o hoje, já pela madrugada dentro. Está muito interessante. É espantoso como a questão é tão simples mas não está presente em quase ninguém. A mim esclareceu-me algumas ideias.

Uma coisa interessante que o filme não foca, ou só muito superficialmente, é o papel do lucro na questão do dinheiro e a sua ligação com o crédito. Sim, porque não concordo que os únicos maus da fita são os banqueiros.

Era interessante fazer um estudo de fluxos de dinheiro e ver que numa empresa os produtos postos no mercado somam, por exemplo 1000€, dos quais 600€ vão para pagar o valor incorporado nos produtos através do trabalho e as matérias primas, os outros 400€ são o chamado lucro. A questão é que os produtos colocados à venda pela empresa e que devem ser consumidos, essencialmente pelos trabalhadores (são a maioria da população) não podem ser totalmente consumidos porque o dinheiro que receberam (600€) é menos que o valor total dos produtos postos em circulação (1000€). Gera-se aqui um problema de sobreprodução.

A questão que coloco é esta: até que ponto a questão do crédito não é uma questão de “que maus são os banqueiros” mas sim que peça chave são estes banqueiros para o esquema irracional deste sistema económico?

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